minha vida de brinquedo

Na voz de uma menina, dúvidas, percepções e expectativas preenchem o tempo e as páginas de um Caderno de Teorias.

O olhar infantil sobre a velhice nos apresenta a cadeirante obcecada por organização, que não tem um pingo de paciência com a idosa amalucada que reinventa o passado e não se separa da boneca; a elegante professora aposentada que trava com o militar sabichão uma disputa de conhecimentos gerais; o botânico que conversa com as plantas numa língua que ele mesmo inventou; uma ex-vedete que troca de peruca várias vezes ao dia, para que a cor dos cabelos sempre combine com seu estado de espírito e um japonês tarado que embaraça a esposa ao arrancar a roupa nas piores circunstâncias.

Ao aprender e ensinar, sofrer e crescer, inventar e descobrir, esta garota muito especial recria a própria realidade, modifica o lar de velhos e transforma o leitor.

R$ 25,00

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Minha Resenha para: Minha vida de brinquedo Faça um Favor a você. Leia. Quando eu terminei de ler Minha vida de brinquedo, o primeiro sentimento que me passou foi uma frustração em não ter ninguém do meu lado que já tivesse lido o livro também. Eu precisava falar dele, dividir o impacto, transbordar a doçura daquele texto sublime. Eu queria falar para as pessoas que estavam perto Você precisa ler esse livro, faça esse favor a você mesmo e ao mundo. Diante do fato exposto, já começo minha resenha certa que o conteúdo dessa página será por definição injusto com o que o livro representa e injusto comigo também, porque eu queria falar muito sobre isso. A primeira vez que tive contato com um texto da Karla Lima, era um livro dissertativo e jornalístico, gênero pelo qual sou apaixonada. Para mim, narrativas são sempre muito mais difíceis de escrever. Na verdade, eu consigo escrever até que boas dissertações, mas não tenho o menor talento para narrações (e sim, a gente julga o mundo por si) então quando comecei a ler, e por ter gostado tanto do outro livro dissertativo, eu realmente não sabia o que esperar desse. Esperando ou não encontrei uma narração antes de tudo riquíssima, doce, forte e maravilhosamente filosófica. Viajar através do caderno de teorias da Flor de Verão, uma criança pura e em pujante descoberta da vida que se passa dentro de um asilo onde sua mãe é diretora, foi simplesmente mágico e me fez mudar completamente de ideia sobre escritores serem melhores em narrações ou dissertações. Essa foi a primeira lição que ela me ensinou, que às vezes demoramos a mudar de ideia, "porque adultos prendem suas ideias com garras, em quem não é adulto ela ainda tem asas." Durante toda a leitura, o que acontece com você é exatamente isso, um aprendizado da necessidade de resgatar a criança da sua alma para aprender a enxergar o que a vida quer te mostrar todos os dias. Essa delicada criança narra o dia a dia do asilo, com uma infinidade de personagens extremamente bem construídos e delineados que encantam pela verdade e riqueza de ensinamentos. O teor filosófico cotidiano é presente de forma tão genial que nos transforma em filósofos naturais mesmo, daqueles que pensam no sentido da vida mesmo sem parar para pensar nisso, a filosofia pura e original, isso tudo aliado à profundidade de vocabulário, é uma experiência bem diferente do que se costuma encontrar em narrações. Chama atenção também a capacidade de tratar a senilidade e o envelhecimento como um processo natural, que envolve não só o idoso, mas toda a família e a sociedade, e que ainda assim estamos tão despreparados para lidar, como se vivêssemos uma esquizofrenia social que simplesmente ignora uma realidade imutável. Envelhecer. Encanta o conhecimento profundo de Gorete, a capacidade disciplinar e engajada de Antero, a humanidade de Marion, a naturalidade de Helena Eleanor, a vocação de Ivone, o Amor de Sérgio, a dor de Eugênio, a rabugice de Ilma, a genialidade das perucas de Lucinda. Ah as perucas da Lucinda! Se eu pudesse usá-las, ao final da leitura vestiria uma verde, verde de esperança. Minha vida de brinquedo é aquele livro que você não quer ler no ônibus, ou enquanto espera no consultório médico. Você quer ler no seu quarto, quando você pode se conectar com você mesmo, onde você possa gargalhar, se espantar, suspirar e se emocionar com os olhos mareados. É um livro que prova que escrever é uma arte. Tem livros assim.

Enviada por: Kizzy França

Maravilhoso! Por muito tempo após o término da leitura pude seguir curtindo a miríade de sensações que o livro me proporcionou. Agradeço os ótimos momentos que passei lendo este livro, e o envolvimento emocionante com cada personagem e história. Quanto receio de eventualmente ter perdido qualquer nuance das belas palavras escolhidas tão acertadamente pela autora, e desperdiçar as emoções infindáveis que cada construção carrega. Espero que não demore pra que cada vez mais e mais pessoas possam conhecer essa escritora excepcional e se deleitar com esta obra de arte tão sensível e surpreendente (e as vindouras que ansiosamente aguardamos).

Enviada por: Patricia Albuquerque

cabei de ler o seu livro “Minha vida de brinquedo” e confesso que adorei – vivenciei a experiência de estar no dia a dia de uma clinica de idosos (mais alguns poucos anos e viverei de fato esta experiência). Esta é, verdadeiramente, a função de um romance. Fazer com que o leitor mergulhe na estória que está sendo contada e acompanhe, como espectador, os fatos que estão sendo narrados. Você conseguiu proporcionar exatamente esta experiência. Parabéns – o texto tem fluidez, é inteligente, engraçado, profundo. Apesar do “peso” do assunto consegue passar a sensação final de otimismo. Caso a intenção e mensagem fosse outra, minha incompreensão é motivada pelas minhas limitações e não pela clareza do texto. De qualquer forma foi uma satisfação ler o seu livro e sou grato a você pela experiência. Bjs

Enviada por: Osvaldo L

Querida Karla Lima! Ai que livro lindo! Um pedaço de cambraia de linho branco, preso num bastidor, bordado em ponto cruz, com várias cores e em vários motivos. Vivo, desde a infância, imerso aos labores da alta literatura - alienado aos alienantes autores tais como Conrad, Faulkner, Virginia, Gabu, Camus, e a lusófonos como Mia Couto, Marta Medeiros, Adélia e Chico (o cantor), dentre outros -, e vibro sempre que constato nesse emaranhado o surgimento de mais um (ou uma) que faça a diferença. É... Faz tempo que te procuro. Assim como achei no contista brasileiro Jádson Barros Neves ( que escreveu “Consternações”), um estranho encontro com o que há de melhor, vi no seu escrito a zelosa criatividade não obvia, sem perder o lastro da sofisticação e da sutileza. Lança-se acima dos demais por aí, com toda a elegância de Clarisse, sendo Karla Lima. Lucrei muito quanto li montagens fonéticas boladas com tal primor que me permitiram um sorriso, no silêncio gritante da atenção presa pelo seu texto, tal como: “ Dizem que, ao ser demitido, o assassino de belezas, exterminador de alegrias e opressor de espíritos estava gordo como os ratos do jardim, órfão e rico, e que ainda acenou para a pequena multidão que aglomerou na saída.” Ou então quando a restauração no ILPES resume a nova ambientação do cenário com “ a instalação de novos quadrinhos com os velhos dizeres.” Estou de caso com este livro. E “tem casamentos Assim”! Fiquei abraçado à sua historia como Rosa ficou “abraçada às onze xarás de letras minúsculas”; como quem carrega um buquê. A doce narradora fez isso comigo ao apresentar cada personagem, e suas histórias envolventes, sem deixar um vácuo sequer; apenas tristeza pelo final da festa, pois alem de rir e de pensar tanta poesia, fiquei como o maestro: “que chorava por solidariedade e fungava com descrição.” “Minha vida de brinquedo” mostra a transparência do bem ( sem a retórica moral das convenções), contraponto os simulacros de que fala Baudrillard, pois a vida como foi mostrada pela narradora é real para cada um, mesmo sendo encantadora. Para mim, penso ser a literatura para você o “verdadeiro útero de letras em sua familiaridade”. Isso é o que passa para mim em tudo que li. Parabéns – H. Martins

Enviada por: H. Martins

Por uma parede de pensamentos, por um caderno de teorias Minha Vida de Brinquedo é um livro de muitas histórias compactadas ao dia-a-dia de uma garotinha que tenta transpassar suas impressões de tudo que vê, ouve e percebe. Às vezes o tom beira o contista, às vezes o cronista, vira poético, singelo, às vezes é até enigmático; é uma mistura pelas páginas. A garota é esperta, apesar de muito nova. Tem um lado descritivo incrível, que, por vezes, imaginei se era mesmo uma garota, mas dado às teorias (que não são poucas) dela, entende-se como e de onde ela conseguiu firmeza para tanto. A garota se muda para a Instituição de Longa Permanência Ethel Schimmer (ILPES) por sua mãe ser a nova diretora, uma luz que o asilo precisava para se manter. Por motivos de não se adaptar bem à escola, a garota faz de lá o seu lugar especial de aprendizado. Acaba por se tornar parte daquele espaço. Ainda que suas experiências sejam as mais simplistas, são nelas que se encontram os encantos da narrativa. O senso da menina, mesmo entremeado às dúvidas, as inconsistências próprias do humano (e não necessariamente o adulto, como alguns possam imaginar), nos bate aquele enternecer. E, possivelmente, quem sabe, o assentir. A leitura comigo foi calma, leve e esperançosa. Introspectiva. Não li num fôlego só, quis caminhar entre as páginas como se tivesse o maior tempo do mundo, tem muito num mesmo quadro pra se deixar passar. Algumas coisas me tocavam a ponto de ir a fundo numas opiniões, tanto minhas, tanto da narrativa. Tem mentes assim, ela me diria. Me lembrou um pouco de Fernando Sabino (O Encontro Marcado) no quesito de me destravar o pensamento e fazê-lo correr solta, independente de ter um momento para registrá-lo, como foi com a garota e seu caderno de teorias. Costumo muito dizer “tenho uma teoria” (tenho mesmo), só não consigo escrevê-los assim. Acho que a gente não percebe que são tantas até se escrever. Em muito delas, dei de encontro com a garotinha. Parecia que ela tinha invadido minha cabeça, fez deles normais, daquelas coisas que a gente acha que só nós pensamos, e então vemos que não é bem assim. Quis/quero, por isso, uma “parede de pensamentos avulsos”. O que senti falta foi de mais diálogos, não sei se por o costume ou gostar demais deles, que geralmente deixam a cargo do leitor ter suas próprias ideias sobre as atitudes descritas, mas isso é meio o que nos faz ter que confiar muito nas percepções da garotinha, até inspira a captar mais das delicadezas de gestos. O tratar do realismo diário da convivência com as pessoas, justo as pessoas mais à margem, dada suas idades e gerações, dá aquele toque de humanidade esquecida. Enquanto ela se torna uma “jovem velha” (no sentindo de crescer), os idosos do centro se tornam “velhos jovens” (no sentido de se redescobrirem). As trocas entre eles são de muito carinho, a garota dá nova vida às histórias deles, então ignoradas, perdas e ganhos, a garotinha extraía o máximo delas, que não precisava de muito, só do singelo. É o pouco crédito que damos aos mais novos e aos mais velhos, que no final das contas, sabem sim surpreender. E ainda “trocam de peruca” pra enfatizar (talvez eu compre mechas coloridas pra definir melhor meu humor, quem sabe rs). Não é uma narrativa comum, acho que é dessas leituras que a gente respira, a gente assiste, a gente se marca, e para realmente pra refletir. Tem livro assim. Ressalva para a produção gráfica do livro, que é uma delicadeza só. (Resenha publicada na página do Minha Vida de Brinquedo no skoob.)

Enviada por: Kleris Ribeiro

Passei pra dar uma abração em cada uma e dizer à Karla que o livro Minha vida de brinquedo é simplesmente sensacional, sensível, inteligente e profundo !! Amei !! bjs mil e todo sucesso do mundooooo !!

Enviada por: Nina Thomazelli

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