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hora do rango, parte 3

categoria: pequenas fornadas

O que, onde e como se come em São Paulo – jantar

Uma senhora de unhas longas, cheia de laquê no cabelo claro, suspira e mastiga. “Meu marido esteve à beira da morte, a recuperação está sendo dificílima!”. Do lado oposto da mesa, a moça rebate que seu irmão ficou bem pior, tanto que o médico nunca tinha visto um caso daqueles. Noite de sexta-feira, elas conversam na lanchonete do Hospital Samaritano, em Higienópolis. A competição pelo maior sofrimento já se estende há uns bons vinte minutos. A mais velha dá mais uma mordida no sanduíche natural. “Ah, mas é diferente, porque seu irmão é jovem…” Um pouco do recheio lhe cai no colo, enquanto continua: “Meu marido tem 68, e nessa idade, você sabe…”. Tanto esfrega o guardanapo que a ricota temperada penetra o tecido. No contra-argumento, a oponente marca um ponto: “Sim, mas isso só prova que o quadro do meu irmão era mais grave. Imagina, passar tudo isso e nem fez quarenta ainda!”. A indignação é grande e ela baba refrigerante na blusa. “Ah, que droga, vai estragar, Coca Cola não sai!” A mais velha engole o último bocado e encerra, triunfante: “Ih, isso não é nada! E eu, que manchei a saia inteirinha?”.

comentários

kkkkkkkkk......que competição mais doida, e o pior que existe!!!!!

Enviada por: GIOVANNA MENDES

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