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hora do rango, parte 2

categoria: pequenas fornadas

O que, onde e como se come em São Paulo – almoço

A dona da casa vai passando a caixa de sapatos e intimando: “Vai, colabora aí, ô!”. São 14h de sábado e, na casa de Carina, mais de vinte mulheres fazem samba e bebem cerveja. A frequência exclusivamente feminina se explica: elas são um time, jogam futebol “quase profissionalmente”. Acabaram de voltar de Santo André, onde perderam por 1 x 0 logo na estreia no campeonato. A capitã, confiante na união da equipe, no treino rigoroso e no apoio da torcida, havia prometido um churrasco na laje em caso de vitória. A torcida não apareceu, o time foi derrotado, mas a laje estava lá, não estava? Que é que custava fazer uma batucada e afogar nas cervas (já compradas) a lembrança daquele lance? Faltava mesmo era a carne, que o otimismo da anfitriã não chegara ao ponto de investir do próprio bolso em insumo tão caro e perecível – por muito que confiasse na união da equipe, no treino rigoroso e no apoio da torcida. Umas sambam de chuteiras, outras batucam nas próprias coxas, mas a vaquinha para o açougue, que é bom, não sai. Já deu três da tarde, Carina percorreu dois terços do grupo, e a caixa de sapatos ainda não tem trinta reais. Ao fim de duas horas alternando ameaças e franca mendicância, ela consegue angariar R$ 48,25. Desce sozinha pra avenida pensando na partida da semana seguinte, contra o São Caetano. Volta da rua com mais duas dúzias de cerveja.

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